quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Dia 13

Hoje acordámos mais bem-dispostas e com mais ritmo. Às 7:30 já estávamos a pé, bem mais cedo do que tínhamos previsto. Aproveitámos para tirar a roupa da corda, secar as partes mais húmidas com o secador e limpar alguma água do chão com uma toalha. A roupa estava quase perfeita, apenas precisava de ser passada a ferro aqui e ali, mas a mochilas de acampar têm um truque: são tão aconchegadas, com as coisas que nós lá temos, que alisam o material todo. Umas horas dentro das malas miraculosas e a roupa está pronta.
Depois dos duches, vestir, e tomar o pequeno-almoço, fomos para a estação de metro.

Combinámos encontrar-nos com o Nikon às 9:45 na estação, para irmos juntos para a Acrópole. Ele não apareceu, mas nós tínhamos de seguir o plano, por isso fomos sem ele.
Assim que chegámos à estação de Monastiráki, seguimos o caminho do costume. Procurámos a lista dos monumentos a visitar, mas não a encontrámos. Nem encontrámos o nosso plano! Na verdade, não o consultávamos quase desde que chegámos à Grécia, porque decorámos os sítios e as horas, mas entrámos em pânico porque não tínhamos a certeza do que estava planeado fazermos hoje! Como já tínhamos entrado na Acrópole, decidimos ver tudo o que podíamos. Com alguma sorte, veríamos o planeado...

Vimos o famoso Partenon, dedicado a Atena. O nome Partenon deriva de "parthenos", que significa "virgem" em grego, que é uma das características da deusa. Ao que parece, há vários templos dedicado à deusa Atena, cada um simbolizando uma das suas virtudes.

Vimos, de novo, o templo de Athena Niké. Vimos Erectéion, templo dedicado Atenas Polia, Poseidon e Erecteu. As suas colunas são construções de Péricles, as Cariátides, estátuas de mulheres que suportam todo o peso da cobertura do templo na sua cabeça. Vimos outros templos em ruínas, muitos ainda não estão identificados, mas são todos construções muito resistentes, com mais de 2000 anos de existência.

Fomos almoçar quase às 3 da tarde. Ficámos tão entusiasmadas com uma visita sem rumo que nos esquecemos de comer. Enquanto comíamos as nossas sandes, lembrámo-nos do plano... Onde será que ele estava? Será que o perdemos? Se isso aconteceu, teríamos de voltar para casa sem ir a Inglaterra nem à Irlanda... Não podíamos viajar sem um guia...
Decidimos voltar para o Hotel, dormir uma boa sesta e procurar o nosso roteiro. Se fosse necessário, voltaríamos a Olympia, ao Hotel Imonos, e procurar o nosso tesouro...

Assim que chegámos ao Hotel, a recepcionista disse-nos que alguém tinha entregue uma carta para nós. Fomos para o quarto, arrumámos as malas e examinámos o envelope. Era muito volumoso e não tinha remetente nem destinatário. Ocorreu-me a ideia de ser uma bomba, mas eu sou muito imaginativa, por isso não disse nada e a Adriana abriu a carta. Estava lá o nosso plano! E um bilhete! Escrito em grego... A Filipa Morais correu com o bilhete para a recepcionista e pediu-lhe para fazer a tradução. Escreveu-a num papel e trouxe os papéis para o quarto, com um sorriso espetado na cara. Ficámos intrigadas.

A mensagem era assim:
"Peço muita desculpa por ter roubado o vosso plano, mas queria muito saber os vossos passos para vos acompanhar. Assim que vos vi, fiquei intrigado. Alguma coisa em vocês despertou em mim uma curiosidade inexplicável pelos Portugueses. Quero muito conhecer a vossa cultura e quero muito conhecer-vos bem.
Adorava que vocês passassem mais uns dias em Atenas. Para nos conhecermos melhor e para os meus amigos vos conhecerem. Eles estão curiosos sobre vocês. Nós pagamos a vossa estadia, dado que vocês têm as contas todas feitas ao cêntimo.
Por favor, não fiquem chateadas comigo.

O vosso companheiro,
Nikon

PS: Hoje às 10 à porta do Hotel."

Aí é que nós percebemos o sorriso da Filipa. Olhámos para o relógio. 5 da tarde. Ainda tínhamos tempo para a sesta e um banho para refrescar as ideias. E foi isso que fizemos.
Às 8 e meia jantámos no Hotel. Às 10 estávamos à porta. O Nikon estava na esquina e aproximou-se de nós. Pediu desculpa em português! Ficámos espantadas... Ele aprendeu a pedir desculpa em português de propósito por nossa causa. Foi atencioso da parte dele... Nós aceitámos as desculpas, em Inglês, e fomos para o bar do outro dia. Os amigos deles estavam lá.

Não bebemos nada, apenas conversámos. Ensinámos-lhes algumas frases em português e descrevemos a nossa cultura e alguma da tradição de Portugal. Eles praticamente beberam aquilo que lhes dissemos. À meia-noite decidimos voltar para o Hotel. O Nikon e os amigos foram buscar um saco à loja dos pais de um deles e ofereceram-no a nós as cinco. Estava selado. O Nikon disse-nos para o abrirmos só quando estivéssemos no quarto. Despedimo-nos e voltámos para o Hotel

Neste momento, estou a escrever o post e elas estão a vestir os pijamas. Vamos abrir o saco apenas quando estivermos todas prontas. Somos algo masoquistas, queremos desfrutar ao máximo da surpresa.

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